Brasil vai apoiar Moçambique na certificação digital dos documentos

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O Brasil vai apoiar Moçambique na formação de quadros e no combate à proliferação de documentos falsos, incluindo eletrónicos, avançando igualmente para o reconhecimento mútuo de assinaturas digitais, segundo o acordo assinado hoje em Maputo.

O memorando de entendimento foi assinado entre os dirigentes do Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC) e pelo Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), visando estreitar a cooperação técnica e administrativa no domínio da certificação digital e da segurança eletrónica.

O acordo formaliza a colaboração entre as duas instituições, com ênfase, ainda, na criação e aprimoramento do Sistema de Certificação Digital de Moçambique.

O presidente do conselho de administração do INTIC, Lourino Chemane, explicou que o Brasil vai capacitar aquele instituto moçambicano “do ponto de vista institucional e, em particular, formar os quadros” da área de certificação digital.

“Para assegurar que toda a administração pública e o cidadão, todas as entidades do setor privado, em particular os bancos, as entidades da academia assinem digitalmente os documentos para diminuir a proliferação e circulação de documentos falsos ou falsificados no formato eletrónico”, disse.

Segundo o responsável, o INTIC trabalha há quatro anos na implementação do sistema de certificação digital, tendo já concluído as componentes técnica e legal, encontrando-se na fase de operacionalização e preparação para alargar o processo aos setores público e privado.

“Estamos a implementar assinaturas eletrónicas somente pelo INTIC e estamos a preparar para abrir a participação do setor privado e do setor público, para que todos os documentos eletrónicos sejam assinados eletronicamente e digitalmente”, explicou.

Chemane destacou que a cooperação inclui a capacitação institucional do INTIC e a formação de técnicos em auditoria e credenciação de entidades certificadoras, sublinhando que “há muitos exemplos” no país desse tipo de documento “que cria problemas e alguns consubstanciam crimes”: “Por exemplo, a falsificação de BR [Boletins da República] no formato eletrónico, a falsificação de documentos, de diplomas e certificados”.

Entre as áreas de atuação consta ainda a elaboração de documentos técnicos para a operacionalização do sistema, a melhoria dos procedimentos de credenciação das entidades certificadoras, a realização de auditorias internas e externas para garantir a conformidade dos processos e a assessoria técnica para revisão de instrumentos jurídicos e normativos.

A parceria prevê também a capacitação de técnicos e auditores moçambicanos especializados na operação de Autoridades Certificadoras Raiz e na realização de auditorias de Infraestruturas de Chaves Públicas, reforçando a confiança no ecossistema digital nacional e abrindo caminho ao reconhecimento de assinaturas digitais entre os dois países.

“É como um documento assinado por um cidadão brasileiro no Brasil, quando vier a Moçambique, o Estado moçambicano pode reconhecer essa assinatura” avançou Chamane.

Por sua vez, o coordenador-geral de inovação e operação de projetos do ITI, Joelmo Jesus de Oliveira, afirmou que o Brasil está empenhado numa cooperação célere e estruturada, salientando que a sua presença em Maputo visa definir um plano de trabalho com metas concretas, garantindo que a instituição está comprometida com esse propósito.

“Muito ansioso em começar a trabalhar de forma muito imediata, colaborar com Moçambique (…) vamos trabalhar com Moçambique de maneira muito precisa, muito assertiva e muito rápida”, declarou.

A assinatura do memorando enquadra-se no reforço das relações bilaterais entre os dois países, relançadas após a visita do Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, a Maputo, a 23 e 24 novembro de 2025, durante a qual foram assinados nove instrumentos jurídicos para aprofundar a cooperação em diversas áreas estratégicas.

Fonte: Lusa Moçambique