Circulação na maior estrada moçambicana reposta em até duas semanas

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O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, assegurou hoje o restabelecimento em, no máximo, duas semanas da transitabilidade na estrada Nacional 1 (N1), principal via do país, suspensa há dez dias devido às cheias.

“Estamos a fazer tudo por tudo para que o mais rápido possível possa ser restabelecida a ligação”, declarou o chefe de Estado moçambicano, na abertura da sessão ordinária de Conselho de Ministros, que decorre em Xai-Xai, Gaza, província do sul do país e a mais afetada pelas cheias deste mês.

Segundo Daniel Chapo, foram verificados seis cortes na principal rodovia do país devido às cheias e inundações das últimas semanas, essencialmente entre as províncias de Maputo e Gaza, estando agora o empreiteiro no terreno a reparar os danos.

“O primeiro corte está já pronto, o segundo corte também, terminamos ontem [terça-feira]. Estamos agora no terceiro corte e temos certeza absoluta que daqui a sensivelmente uma, duas semanas no máximo, nós vamos restabelecer a ligação na N1”, explicou.

Enquanto não é restabelecida a ligação na principal via do país, com centenas de automobilistas a aguardar desde 17 de janeiro na estrada, o Presidente assinalou a atual alternativa de ponte aérea, através do aeroporto de Chonguene, em Xai-Xai, com pelo menos cinco voos diários a preços “extremamente bonificados”, além de ligações marítimas e ferroviárias.

“É por isso que temos dito que é extremamente importante ter uma linha aérea, que é do Estado moçambicano, a nossa companhia de bandeira [LAM]. Com o setor privado não havíamos de conseguir fazer o que estamos a fazer e mesmo que a empresa [aérea] esteja a entrar em prejuízo, (…) é responsabilidade do Estado servir o povo moçambicano”, reiterou.

Chapo frisou que  as mudanças climáticas são uma realidade, e que há necessidade de estar cada vez mais preparado, para evitar mortes.

“O povo moçambicano é resiliente, por isso quero agradecer bastante a compreensão que a nossa população teve de se deslocar para os centros de acomodação temporariamente e, pouco a pouco, vamos regressar, retomar a nossa vida, Depois das cheias de inundações, temos lodos, vamos mobilizar sementes, lançar a semente na terra, produzir e continuarmos a vida”, concluiu.

As autoridades moçambicanas suspenderam a circulação de todo o tipo de viaturas, incluindo de transporte de passageiros e de mercadorias, entre Maputo e Gaza, devido às cheias e destruição de troços de estrada, para evitar a concentração de viaturas.

Aquele troço da N1 é a única ligação terrestre viável de Maputo para norte e, no local, a Lusa constatou anteriormente milhares de pessoas, em centenas de viaturas ao longo da via, a aguardarem a reposição da transitabilidade, para poderem seguir viagem.

Quase 105 mil pessoas estão em centros de abrigo em Moçambique, devido às cheias que afetaram já praticamente 700 mil cidadãos em 20 dias, segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

De acordo com a base de dados do INGD, a que a Lusa teve acesso e com dados até às 16:00 (14:00 de Lisboa) da segunda-feira, as cheias que se registam em vários pontos do país já afetaram 691.527 pessoas (mais 40 mil em 24 horas), equivalente a 151.963 famílias, ainda com 12 mortos, 3.447 casas parcialmente destruídas, 771 totalmente destruídas e 154.797 inundadas.

Os dados do INGD referem ainda 45 feridos e quatro desaparecidos na sequência destas cheias, desde 07 de janeiro, numa altura em que famílias inteiras continuam a aguardar resgate, sobretudo no sul de Moçambique.

Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas semanas de cheias, já morreram 124 pessoas em Moçambique, além de 148 feridos e 812.194 pessoas foram afetadas, segundo os dados do INGD.

Fonte: Lusa Moçambique