Empresários moçambicanos pretendem apostar em cooperativas de pequenas empresas para gerar emprego, face à ainda reduzida integração destas estruturas nas cadeias de valor formais, conforme um projeto apresentado hoje em Maputo.
Segundo o presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA), Álvaro Massingue, o projeto ‘Connecting Skills’ em Moçambique resulta de um “diagnóstico claro” ao mercado nacional, no qual o setor privado concluiu que “o crescimento económico do país não tem gerado emprego suficiente e digno”.
Acrescentou que mais de 90% da população moçambicana ativa encontra-se na economia informal, o que significa “baixa produtividade, acesso limitado ao crédito, fraca proteção social e reduzida integração nas cadeias de valor formais”.
“É neste contexto que o projeto se posiciona, alinhado ao objetivo de desenvolvimento sustentável – trabalho digno e crescimento económico”, explicou Álvaro Massingue, no seminário para a promoção do cooperativismo, realizado hoje, considerando que aquele projeto integra políticas públicas, instituições e empreendedores num verdadeiro ecossistema de desenvolvimento local.
Para os empresários moçambicanos, o projeto, que conta com o apoio de instituições italianas do setor, vai garantir maior produtividade económica, mais empresas formais, além de mais emprego sustentável e maior integração das mulheres e jovens na economia formal, caraterizando-se como um instrumento “concreto de transição da informalidade para uma economia moderna, inclusiva e sustentável”.
A implementação da fase piloto do projeto, segundo o presidente do CTA, está prevista para a província de Inhambane, sul do país, com foco na formalização e no fortalecimento das micro e pequenas empresas, através da construção da Casa do Empresário e de uma sala de eventos que irão melhorar as condições de funcionamento das Associações empresariais.
Acrescentou que vai servir para a ativação de um balcão de formalização e assistência técnica, bem como na formação empresarial e técnica em setores estratégicos como agrotransformação, economia azul e comércio, além de ajudar também na criação de um fundo de microcrédito orientado ao empreendedorismo feminino.
Moçambique conta com 512 cooperativas associadas à Associação Moçambicana para a Promoção de Cooperativismo em Moçambique (AMPCM), com 1.000.500 cooperantes, dos quais 56% são mulheres, em todo o país, com a província de Nampula, no norte, a liderar com o número de cooperativas (220). Essas cooperativas incluem os ramos da agricultura, serviços como publicação, educação, transporte e tecnologia, segundo os dados apresentados no evento pela AMPCM.
A CTA pediu na sexta-feira ao Banco Mundial que alivie as exigências propostas para o acesso ao financiamento, principalmente para as Pequenas e Médias Empresas nacionais.
Falando aos jornalistas à margem de uma reunião com o Banco Mundial, o representante da CTA, Kekobad Patel, disse que, com o novo Quadro de Parceria (CPF) a cinco anos, de cerca de 3.000 milhões de dólares (2.550 milhões de euros), recentemente anunciado pelo grupo financeiro, há a necessidade de avaliar as exigências para aceder a esses financiamentos, por serem, de certo modo, “proibitivos para pequenas e médias empresas”, que constituem a maioria no país.
Fonte: Lusa Moçambique





