As Reservas Internacionais Líquidas (RIL) moçambicanas voltaram a crescer em Janeiro, para um novo recorde, de 4.152 milhões de dólares, indicam dados de um relatório estatístico do Banco de Moçambique.
Estas reservas – divisas, em moeda estrangeira, necessárias à importação de bens e serviços – tinham subido 1% durante o mês de Setembro, para 3.937 milhões de dólares, tal como em outubro, após o máximo anterior, de 4.035 milhões de dólares, em Agosto.
De Dezembro para Janeiro subiram mais quase 1%, conforme o histórico do relatório, a que a Lusa teve hoje acesso, garantindo mais de três meses de necessidades de importações de bens e serviços.
Contudo, face às queixas de falta de divisas na banca por parte dos empresários, fonte do Governo moçambicano ouvida pela Lusa já admitiu estar em estudo a possibilidade de baixar esse nível de reservas, que têm estado praticamente sempre acima de três meses de necessidades de importações.
É que apesar deste volume de reservas, os empresários queixam-se de falta de acesso a divisas, que necessitam para importação de bens, conforme apontou ainda em novembro o presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA) de Moçambique, Álvaro Massingue.
“A escassez de divisas é hoje uma emergência económica. Sem moeda externa, as empresas não importam matérias-primas, não cumprem contratos e não crescem. O Estado deve garantir prioridade no acesso a divisas para empresas produtoras e exportadoras e criar incentivos para quem exporta e substituir as importações”, disse Massingue, na abertura da XX Conferência Anual do Setor Privado (CASP), o maior evento de diálogo público-privado e de negócios do país.
O governador do banco central, Rogério Zandamela, tem insistido que há fluidez no mercado cambial, rejeitando qualquer intervenção.
Já o Fundo Monetário Internacional (FMI) pediu em Fevereiro a Moçambique, entre outras medidas sobretudo de contenção orçamental, uma flexibilidade cambial, aproximando as taxas oficiais do mercado paralelo.
“O adiamento das reformas agravará a crise e aumentará os custos de ajustamento. É necessária uma ação imediata e coordenada com urgência para restaurar a estabilidade, proteger os grupos vulneráveis e lançar as bases para um crescimento sustentável e inclusivo”, lê-se nas recomendações do FMI após as consultas regulares de 2025.
Nessa avaliação, o FMI afirmava que a política monetária moçambicana “deve manter-se restritiva”, mas que “o afrouxamento monetário arrisca agravar a escassez de divisas” atual, defendendo políticas cambiais que apoiem “o ajustamento externo e a competitividade”.
“Uma maior flexibilidade cambial ajudaria a reforçar a posição externa, a restabelecer o equilíbrio no mercado cambial, a reduzir o fosso entre as taxas oficiais e paralelas e a melhorar a alocação de recursos. As medidas de controlo cambial não devem ser utilizadas como substituto de ajustamentos justificados na política macroeconómica. A sua remoção deve ser gradual e cuidadosamente planeada para evitar interrupções”, escreveu o FMI.
Fonte: Lusa Moçambique




